Benefícios flexíveis: como usar dados nas decisões do RH

Em uma análise realizada com 117.290 colaboradores de 28 empresas, 90,4% alteraram pelo menos uma escolha quando tiveram a possibilidade de personalizar seus benefícios.

O número mostra que, quando existem alternativas disponíveis, as pessoas tendem a participar ativamente da composição do próprio pacote de benefícios. Para o RH, cada escolha também gera informações que ajudam a compreender o que os colaboradores priorizam em diferentes momentos da vida.

Os dados foram apresentados por Ronn Gabay, sócio-fundador da Bematize, durante a palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, realizada no CONARH 2026. A análise acompanhou o comportamento dos colaboradores durante 12 meses e mostrou como essas informações podem apoiar a avaliação e a evolução das políticas de benefícios.

Participação dos colaboradores na personalização dos benefícios. Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026. 

Participação dos colaboradores na personalização dos benefícios. Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026.

O que são benefícios flexíveis?

Os benefícios flexíveis permitem que o colaborador escolha, entre as opções e regras estabelecidas pela empresa, a composição mais adequada às suas necessidades.

Essa possibilidade responde a uma realidade cada vez mais presente nas organizações: pessoas de diferentes gerações, configurações familiares, localidades e fases da vida convivem no mesmo ambiente de trabalho, mas nem sempre atribuem o mesmo valor aos benefícios oferecidos.

Um profissional com filhos pode priorizar um plano de saúde mais abrangente. Outro pode preferir direcionar parte dos recursos para alimentação, mobilidade, academia ou previdência. Essas escolhas também podem mudar ao longo do tempo.

Para que o modelo funcione, a empresa precisa definir quais benefícios poderão ser flexibilizados, estabelecer critérios de elegibilidade e distribuição de créditos, garantir conformidade legal e integrar fornecedores, sistemas e processos.

A flexibilidade, portanto, exige uma política bem estruturada, capaz de combinar autonomia para o colaborador com controle, segurança e clareza para a empresa.

Quais são as vantagens dos benefícios flexíveis?

Para o colaborador, uma das principais vantagens é a possibilidade de adequar o pacote ao seu momento de vida. Com maior poder de escolha, os benefícios tendem a se aproximar das necessidades individuais e a ser percebidos de maneira mais positiva.

Para a empresa, o modelo pode contribuir para uma distribuição mais adequada do investimento e ampliar o conhecimento sobre as preferências dos colaboradores.

Cada escolha realizada deixa um registro. Quando esse histórico é analisado em conjunto com informações sobre utilização, custos, perfil da população e pesquisas internas, o RH consegue observar comportamentos que dificilmente apareceriam apenas em questionários.

É nesse ponto que os benefícios flexíveis passam a cumprir também uma função estratégica: além de oferecer possibilidades de escolha, geram informações que ajudam a avaliar se a política continua adequada à realidade da organização.

A análise apresentada no CONARH 2026 mostra como essa leitura pode ser feita na prática. 

Perfil da população analisada. Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026.
Perfil da população analisada. Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026.

O que as escolhas dos colaboradores revelaram? 

A primeira descoberta da análise apresentada no CONARH 2026 foi a dimensão da participação: 90,4% dos colaboradores alteraram pelo menos uma configuração em seu pacote de benefícios.

Quando essa participação é analisada benefício por benefício, surgem padrões distintos. Algumas categorias concentraram a permanência na configuração padrão, enquanto outras levaram os colaboradores a ampliar, reduzir ou redistribuir os valores disponíveis. 

Distribuição das escolhas entre configuração padrão, upgrade e downgrade. Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026.
Distribuição das escolhas entre configuração padrão, upgrade e downgrade. Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026.

Os resultados revelam que a relação dos colaboradores com cada benefício é diferente. Em seguro de vida e mobilidade, houve maior permanência na configuração padrão. Já alimentação/refeição e assistência odontológica provocaram mais movimentações, seja para ampliar, reduzir ou redistribuir o valor disponível.

Esses comportamentos podem indicar que alguns benefícios atendem bem à maior parte da população em sua configuração original, enquanto outros estão mais sujeitos às necessidades individuais. Ainda assim, os percentuais não explicam tudo sozinhos: regras, valores, condições oferecidas e perfil dos colaboradores também influenciam cada escolha.

Como interpretar os dados de benefícios flexíveis?

Os resultados não devem ser tratados como um ranking dos benefícios mais valorizados pelos colaboradores.

Uma taxa baixa de adesão, por exemplo, não significa necessariamente que determinado benefício seja irrelevante. O resultado pode estar relacionado às condições oferecidas, ao valor disponível, às regras de elegibilidade, ao perfil da população ou à forma como a opção foi comunicada.

Da mesma maneira, movimentos frequentes de upgrade ou downgrade podem ter diferentes explicações. Eles podem sinalizar mudanças nas prioridades dos colaboradores, necessidade de maior cobertura ou preferência por redistribuir os créditos disponíveis.

Por isso, observar os percentuais é apenas o primeiro passo. O valor da análise está nas perguntas que esses números ajudam o RH a fazer:

  • O benefício ainda corresponde às necessidades desse público?
  • As condições oferecidas são competitivas?
  • Os colaboradores entendem como utilizar a opção?
  • Há diferenças relevantes entre gerações, localidades ou configurações familiares?
  • A distribuição do investimento acompanha as prioridades da população?
  • As regras atuais favorecem uma boa experiência de escolha?

Quando combinados com custos, utilização, perfil demográfico e pesquisas internas, os dados ajudam a construir uma leitura mais completa da política de benefícios.

Ronn Gabay durante a palestra “Inteligência de dados em Benefícios Flexíveis”, no CONARH 2026.

Como implementar benefícios flexíveis na empresa?

A implantação começa pela compreensão do cenário da organização. Antes da escolha da tecnologia, é necessário analisar o perfil dos colaboradores, a política existente, o orçamento disponível, os fornecedores, as integrações necessárias e as obrigações legais.

Também é preciso definir quais benefícios poderão ser flexibilizados, quais regras serão preservadas e como os créditos poderão ser distribuídos. Essas decisões influenciam diretamente a experiência dos colaboradores e a qualidade dos dados que serão gerados.

Na palestra, Ronn Gabay mostrou que a flexibilidade também modifica a forma de pensar o investimento. Em vez de oferecer apenas uma configuração previamente estabelecida, a empresa passa a considerar como os recursos disponíveis podem atender necessidades diferentes dentro de critérios claros.

Principais desafios para a implantação de benefícios flexíveis.Fonte: Bematize — palestra “Inteligência de Dados em Benefícios Flexíveis”, CONARH 2026.

Depois de definir o desenho da política, surge outro desafio: transformar regras, fornecedores, escolhas e informações em uma operação que o RH consiga administrar e acompanhar. 

Como a Tiza apoia a gestão de benefícios flexíveis?

A Tiza, plataforma proprietária da Bematize, operacionaliza o processo de escolha e reúne benefícios, fornecedores, informações e indicadores em um único ambiente. Assim, o RH consegue acompanhar o comportamento dos colaboradores e analisar os dados gerados em conjunto com custos, utilização e perfil da população.

A plataforma também simplifica processos que costumam estar dispersos e oferece uma visão mais ampla da operação, facilitando o acompanhamento da política e a identificação de oportunidades de melhoria.

Com a consultoria da Bematize e a Tiza, a empresa conta com apoio desde o desenho dos benefícios flexíveis até a gestão das escolhas e a análise dos resultados.

Inteligência de dados aplicada à gestão de benefícios

Os dados gerados pelos benefícios flexíveis ampliam a capacidade do RH de compreender as prioridades dos colaboradores e avaliar se os investimentos realizados continuam adequados.

Para que essa leitura seja consistente, escolhas, utilização, custos, perfil da população e regras da empresa precisam ser analisadas em conjunto. É essa combinação que transforma registros operacionais em informações úteis para a gestão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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